Archive for outubro, 2011

Chega!!!

sábado, outubro 29th, 2011

Estou ansiosa demais para escrever qualquer coisa que não saia “bagunçada” de sentimentos.

Mas PRECISO escrever… afinal, como disse a Marlene hoje de manhã… passamos por perdas a todo momento… então não posso “perder” esse. Talvez seja hoje o “grande” dia… de simplesmente acordar para ouvir a resposta sobre “aquela” velha pergunta: o que mesmo que eu estou fazendo aqui?

Então… procurei e achei tradução para “eu hoje”. Desculpem a mistura, mas o compromisso é sempre dizer a verdade aqui, mesmo que com as palavras de outras pessoas, como é o caso. Sábias palavras, aliás.

“Tem gente que não faz por mal, mas tem gente que faz. E, de ambas, quero distância. Aos donos das picuinhas, ofereço a porta da frente – serventia da casa. E que levem junto os risos de deboche, a molecagem e a competição. Jogo fora os esmaltes endurecidos pelo tempo, os sapatos que machucam o pé e a roupa que não serve mais. Não guardo mais em gavetas sementes de baobá.”

Juliana Regina Marques para o Livro da Tribo – 2011

“Chega!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Celia para o Blog da Coisa de Moça 🙂

“Quero andar de bicicleta numa tarde, com o vento batendo no rosto… fazer uma viagem de carro, sem destino… falar besteiras até às 4 da manhã, e rir muito… se preciso, falar coisas sérias também… abrir um pote de sorvete e comer tudo, sem culpa… arrastar os móveis da sala e dançar, quando der vontade… escolher flores para decorar a casa… descobrir novos sons, novos ritmos, novos silêncios… ler um livro muito bom… ir a uma festa ou ao teatro ou ao cinema ou à praia ou ao campo ou jantar fora… e ENCONTRAR alguém para me acompanhar.”

Fabiana Rainha para o Livro da Tribo 2011

 

O que eu não consigo

quinta-feira, outubro 27th, 2011

“Não consigo desistir da vida. Nem sei se poderia fazê-lo. Diante de um medo, encaro e penso: o que será de mim se recuar agora? Pra onde voltar se todos os caminhos que me desviei já não me serviam? E nessa força só me resta caminhar, certa de que chegarei bem mais longe do ponto onde fui deixada.”

Lígia Cristiane Pereira para o Livro da Tribo – 2011

Às vezes penso que não consigo nada. Mas, graças a Deus, depois de olhar em volta, o que acabo “não conseguindo” é desistir.

Isso porque num dia em que estou quase ligando para uma amiga para dizer que está doendo muito, recebo uma ligação de outra dizendo que está muito difícil… e acabo por ouvir “Obrigada… estou me sentindo bem melhor.”

E no dia seguinte, alguém me chama de “meu amor”…

E hoje, marco a viagem dos sonhos da minha Gabizinha que já é uma moça e quer conhecer a Europa… e me reconheço nas palavras dela.

Não dá para achar que não vale a pena. 🙂

 

Metade

terça-feira, outubro 25th, 2011

Nunca consegui colocar aqui um texto que eu não tenha escrito sem dar os meus “palpites”.

Mas dessa vez, não tenho o que dizer além do que já está dito.

Conheço esse texto há muito tempo, curto muito o trabalho do Oswaldo Montenegro, e desde a primeira vez que li tive muita vontade de compartilhar… aí está.

“E que a força no medo que eu tenho, não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda ao invés de tristeza.

Que a mulher que eu amo seja prá sempre amada, mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.

Porque metade de mim é o que eu ouço, e a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.

Que essa tensão que me corre por dentro seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso, e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste.

Que convivo comigo mesmo e se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim é a lembrança do que fui, e a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria, prá me fazer aquietar o espírito.

E, que o teu silêncio me fale cada vez mais.

Porque metade de mim é abrigo, e a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar.

Porque é preciso simplicidade para fazer florescer.

Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção.

E, que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é Amor, e a outra metade…também!”

                                                                            Oswaldo Montenegro

Uma “casinha” muito importante

domingo, outubro 23rd, 2011

Hoje juro que não sei como consegui levantar, me vestir, tomar café, andar com a minha Brida querida e ir até a igreja… parecia que tinha “cola” na minha cama.

Valeu a pena… me senti bem como sempre, e “o dono” da missa foi o Padre Mário, de quem gosto tanto, e a quem já andei pedindo e obtendo socorro. Enfim… estar em contato com a palavra de Deus é sempre bom, e a energia de tanta gente junta pensando Nele, que é o nosso Pai, não pode deixar de ser remédio para qualquer mal.

Corri  e cheguei na hora… mas quando entrei na igreja, às dez em ponto, a missa estava quase no final, e fui informada que havia começado, excepcionalmente, às nove e meia. Dia de Primeira Comunhão.

Assisti ao final da missa como sempre, não sem deixar de dar as minhas “viajadas”… para o dia da minha Primeira Comunhão…

Não fiz o catecismo como todas as crianças. Quando eu estava ainda no primário, no Maneco Dionísio, em Avaré, a minha sempre amiga Guga, que era simplesmente tudo de bom, aparecia na escola todos os dias muito empolgada com o dia da Primeira Comunhão dela, que seria no dia 7 de novembro… não conto o ano nem morta… mesmo porque acho que a Guga me mataria se um dia ler essa “história verdadeira” …  que é o que importa, afinal.

Então a minha querida Guga teve a ideia… “Vamos fazer a Primeira Comunhão juntas… talvez ainda dê tempo de vocês entrarem na mesma turma do catecismo”. Vocês incluía a Fê, é claro… nada era feito no singular nessa época… graças a Deus.

Mas morávamos na fazenda… já era difícil ir e voltar da escola todos os dias… imaginem mais um compromisso na cidade… Dau e Marieta não aguentavam tantas “viagens” assim… ideia “quase” vetada.

O “quase” agora é porque a Dona Marieta não era fácil… e não deixava nada barato se era para fazer as nossas vontades. Lá foi ela conversar com o Padre Paulo, para tentar convencê-lo de que ela poderia nos ensinar o catecismo… para fazermos a Primeira Comunhão junto com a Guga.

Como diriam hoje, era “ninja” a Dona Marieta… e ela conseguiu. Não sem antes se comprometer com o Padre Paulo que faríamos um “exame” com ele antes de ser dada “a permissão”. Eu e a Fê teríamos que responder às perguntas que ele fizesse, corretamente, claro, para poder fazer a Primeira Comunhão junto com a Guga. Assim fizemos, graças às aulas da nossa amada catequista, e deu tudo certo… permissão concedida pelo querido Padre Paulo.

E no dia 7 de novembro “daquele” ano, eu, Fê, Guga e várias outras crianças, fizemos a nossa Primeira Comunhão. De vestido branco, felizes e orgulhosas, estávamos nós lá… nos sentindo as três mais importantes pessoinhas do mundo.

Sobre a Fê e a Guga, não tenho certeza… mas eu me senti assim. E por isso resolvi contar essa história aqui.

Depois da cerimônia, fomos para a represa, como acontecia em alguns domingos, e estavam todos lá… vovô, vovó, tio João, tia Celene, tio Tim, tia Ângela, Fábio, Caco, tia Rita, tio Chico, André, Quico… só não lembro do tio Zé Luiz, que já namorava a Silvia… e acho que estavam “namorando” nesse dia. Todos, junto com meu Papy e minha Mamy, comemoraram comigo e com a Fê a nossa Primeira Comunhão, com direito a bolo e tudo.

No caminho da represa, minha mãe se virou para o banco de trás e disse: “Aproveitem o seu dia… hoje vocês estão em estado de graça. Pela primeira vez, vocês receberam Jesus no seu coração… sintam de verdade a importância disso”‘.

Nunca esqueci essas palavras… e toda vez que recebo a comunhão penso no “estado de graça” que senti naquele dia… e em como me senti importante por ter sido digna de receber Jesus no meu coração.

Mas eu era uma criança… e foi muito fácil entender e aceitar o que a minha mamy disse. Depois que a gente “vira gente grande”, mesmo que só no tempo passado, que foi o meu caso, as coisas não são tão fáceis assim. A gente acumula tanta coisa do que se arrepender, se envergonhar, se entristecer e se preocupar, que o “estado de graça” vai ficando cada vez mais longe de se alcançar.

Minha mãe dizia que Deus tinha uma casinha dentro do nosso coração, que tinha que ser bonita e bem cuidada, para que, quando recebêssemos a comunhão, ela “estivesse” um lugar bonito para Ele entrar. Conforme a gente fizesse coisas que não alegrassem ao nosso ilustre Hóspede, a casinha ficava suja e feia… e Ele, apesar de sempre entrar quando convidado, não ia Se sentir tão bem… e nem a gente, pela vergonha de não ter feito a nossa parte.

E hoje fiquei pensando na verdade da história da Dona Marieta e em como tenho cuidado da casinha Dele, que é a minha responsabilidade nessa vida. Aliás, talvez seja essa a resposta que tanto tenho procurado… o que Deus espera de mim nessa vida? Por quê? (com acento circunflexo mesmo).

Acho que tudo depende do que a gente deixa guardado e o que a gente liberta do nosso coração. Se pensássemos sempre nas condições em que estamos deixando “a casinha” Dele, antes de pensar no que achamos que devia acontecer ou no que “o outro” devia fazer, talvez as coisas ficassem mais claras e menos doídas ao longo das histórias de “gente grande” que a gente acaba tendo que viver… acho que justamente na tentativa de Deus de nos ensinar a fazer uma “faxina” decente.

Não que eu esteja ao menos perto de conseguir. Na verdade, por mais um domingo tive que pedir desculpas ao meu Hóspede pelas condições em que se encontram a minha casinha. E o mais difícil de admitir é que não foi o “outro” que fez a bagunça… mas eu que não tive força e fé suficiente para arrumar tudo como deveria.

Mas eu consigo enxergar o que tem que ser feito. Quando e como fazer… muito diferente do dia da minha Primeira Comunhão, não tenho nem uma vaga ideia. Mas dizem que o primeiro passo para que algo em você seja ajustado é reconhecer a necessidade do ajuste…

E o meu exercício de hoje é olhar para a minha casinha… em cada detalhe. Tenho a certeza de que se ela existe, é porque precisa ser cuidada. Talvez seja essa mesmo a resposta.

Virar a página

quarta-feira, outubro 19th, 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recebi essa “dica” do meu Anjo Israel.

No dia em que a página fica mais pesada, parece que Deus não está ajudando nem com um “dedinho”. Mas a verdade é que, se não estivesse… sem chance de segurar a página. Virar? Esquece.

E por saber disso, não é a minha cara desistir de de aguentar e “empurrar” a página… mesmo que ela pareça não mexer nem um “tiquinho”.

Tinha no meu livro do ginásio que “consciência é a presença de Deus numa alma”… e se não fosse para amar, respeitar, ajudar, superar e ajudar a superar, através da presença Dele, não existiria a alegria de páginas viradas.

Uma Princesa ENORME

terça-feira, outubro 18th, 2011

Já escrevi várias vezes sobre a minha querida mamy e a saudade que eu sinto dela.

Nas minhas “arrumações para mudar”, achei um texto que para mim é muito precioso… e, apesar de ser “mais do mesmo”, não resisti a dividir com vocês.

Alguns meses depois da morte da Dona Marieta, recebi um telefonema de Piraju, de uma pessoa especial, dizendo que iria me passar um fax de algo que saiu no jornal sobre a nossa querida mãe e amiga.

Peguei o papel no fax e no primeiro parágrafo já estava aos prantos… numa mistura de saudades, de orgulho da minha mãe que estava descrita ali e de tristeza… de vazio por ter perdido uma Princesa… mesmo com a minha crença de poder abraça-la novamente um dia.

Quem escreveu o texto foi o Théo… um amigo que ela gostava muito, e que me apresentou pouco tempo antes de ir embora.

Logo após me refazer das lágrimas pela emoção da leitura de um texto tão especial, liguei para ele para agradecer pelo gesto de amor e amizade. E foi a última vez que nos falamos.

Aqui, quero agradecer de novo, mesmo que ele nunca leia…

“Théo, obrigada por ter falado de uma maneira tão verdadeira e carinhosa da minha mamy. Ela era tudo o que você disse, e tudo mais, e você ganhou um lugar no meu coração pelo seu gesto. Beijos, e até qualquer dia…”

E vamos ao texto. Como ela dizia… “quem viveu, viu”, e vai reconhecer a Dona Marieta aqui. Quem não puder sentir assim, vai poder ter uma idéia do TAMANHO dessa Princesa. 

“Requiém por uma princesa triste

Minha amiga Marieta (Maria Silvia) morreu, e eu só fiquei sabendo muito tempo depois. Como pode?

Num mundo onde tudo se sabe, onde as comunicações estão muito avançadas, quis o destino que ela fosse a Santos, a cidade do seu coração, e lá ficasse para sempre. Conheci Marieta numa terça-feira de Carnaval, e nos tornamos amigos. Era filha de família tradicional cujo patriarca Dr. José Pacheco Propheta havia ficado viúvo e educara os filhos com generosidade e disciplina. Essa educação refinada deu aos filhos o discernimento necessário para que escolhessem os amigos pelo caráter e pelas próprias qualidades, não se atendo a sobrenomes ou contas bancárias. Portanto, Marieta jamais se valeu em qualquer situação do poder do dinheiro que a família lhe proporcionava. Recebendo a todos, na fazenda Santa Flora ou na residência na Rua Chile em São Paulo, sempre foi anfitriã perfeita, primando pela humildade e delicadeza como um pequeno beija-flor.

Não via minha amiga há muitos anos, nem tinha notícias dela, quando meu pai adoeceu e tendo falecido, trouxemos o seu corpo de volta à nossa terra. Durante o serviço fúnebre, uma figura frágil se aproxima, me abraça carinhosamente e fala baixinho:

– Irmãozinho, estou aqui… você ainda se lembra de mim?

Claro que me lembrava. Me chamava de irmãozinho porque sabia que na adolescência eu fora apaixonado por uma de suas irmãs, e isso fazia com que ao me encontrar ela sempre dissesse:

– Um dia você vai se casar com ela, e será meu irmãozinho.

Meu coração, naquele momento, ficou mais aliviado, e pude por alguns instantes esquecer a dor da perda pela qual ela já havia passado várias vezes.

Era assim, uma pessoa amorosa, que conheceu um dia o Zé Reynaldo, também meu amigo de infância, e se casou com ele para depois perdê-lo para sempre.

Pela primeira vez encontrei-a abatida, sem fôlego, como um lutador de boxe nocauteado pelos certeiros golpes seguidamente desfechados pela vida. Estava muito triste a minha amiga.

Convidou-me para visitá-la e eu prometi que iria, assim que voltasse de viagem. Não disse mais nada, mas deveria ter dito. Como nos ensina o mestre OSHO, não devemos deixar de dizer a uma pessoa o quanto a amamos, porque esse encontro poderia ser o último. E de fato foi.

Maria Silvia Pacheco Propheta do Nascimento e Silva, era esse o seu nome de batismo, se foi da vida com a elegância com que sempre viveu. Como uma princesa, que não quis causar aos amigos um minuto de dor pela sua partida. Por isso se foi… sem despedidas.

Até qualquer dia, princesa.

Théo Motta Jr.”

Vencer na Vida

quarta-feira, outubro 5th, 2011

Estou quase de mudança… de novo, por incrível que pareça.

E na “maratona” de encaixotar as minhas coisas, e tentar organizar o que fica, o que vai, o que morre e o que sobrevive junto comigo, abri o meu caderninho da Coisa de Moça e achei um texto sobre “Vencer na Vida”.

Sinceramente, não lembro de ter escrito… muito menos de ter copiado de algum lugar. Tentei encontrar o autor na Internet, mas não fui feliz. Tem uma grande chance “dele” ser “euzinha mesma”, mas se não foi, espero ser perdoada  por não mencionar seu nome.

De qualquer forma, se eu quisesse escrever sobre Vencer na Vida,  seria assim:

“Vencer na vida não significa ganhar dinheiro ou abrir o próprio negócio ou ser um profissional bem sucedido.

Significa dar o devido valor a cada momento e cada sentimento.

Significa saber sentir e lidar com tudo que se sente. Não vale ignorar.

Quem está vivo e quer vencer tem que se dar de verdade para o que vier. ”

Já “venci na vida” muitas vezes, e sei que “fazer de novo” não vai ser fácil, mas é possível.

“Amanhã” e “fé” existem para isso… Vencer na Vida quantas vezes for necessário para que se aprenda o valor de cada coisa.

Isso só se faz sentindo… e vivendo de verdade. Não dá para ser sem luta… e nem teria a menor graça.

“Prefiro com emoção”‘. 🙂