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Era mais uma vez…

quarta-feira, setembro 26th, 2012

Um dia a pessoa “insana” que sou eu deixou tudo para trás e embarcou para a Alemanha… de mala, cuia, Brida e aliança no dedo, para casar com o príncipe encantado que, “mea culpa”, ajudei a inventar.

Fui feliz da vida, cheia de amor e de sonhos, cheia de medo e de coragem… para enfrentar o que quer que viesse pelo meu amor… e pela perspectiva de ter a minha família do lado daquele cara que eu achava que tinha olhos de luz.

Só para a história não ficar “sem fim”, voltamos eu e minha Brida um mês depois… simplesmente porque a luz se apagou. O motivo acho que nunca vou saber… mas tenho certeza dessa parte: não era mesmo o amor que eu espero da vida. Depois de alguns dias de “fim do mundo”, descobri com a ajuda dos meus anjos que ainda estava viva, e “cá estou”. A dor e a mágoa deixei lá.

Agora volto para o começo da história… dia da minha despedida.

Os meus amigos anjos me fizeram várias “despedidas” … até eu quase perder a coragem de ir embora e deixar tanto calor e amor para enfrentar o frio da Alemanha… em todos os sentidos. Sempre que eles “comemoravam” a minha ida, como eu dizia, eles também prometiam e planejavam ir para o meu casamento lá, que aconteceria no religioso só seis meses depois. Apesar de serem planos sérios, e eu esperar sinceramente ter todos eles perto de mim no “grande” dia, rimos muito com os “detalhes da operação”. Chegamos à conclusão que para a segurança de todos, eles deveriam ir para a Alemanha “uniformizados”, com o meu endereço gravado na roupa, e os dizeres em alemão de que se fossem encontrados perdidos, deveriam ser entregues “ali”. Plano feito e perfeito… rimos e rimos e rimos com ele, e quando os “doidos” ousaram descrever a chegada deles na Alemanha para o Armin, ele não entendeu direito… depois me fez explicar, e perguntou umas mil vezes se eu achava que eles teriam coragem. É claro que eu sempre disse que era tudo brincadeira… e eu achava mesmo que era.

E chegou o dia 26 de setembro, e eu cheguei no aeroporto de mala, cuia, Brida, muitas lágrimas e o Armin para me dar coragem, para fazer o check-in da minha nova vida. Não sei se era felicidade ou tristeza, medo, euforia ou o que eu estava sentindo… mas como dizia a Dona Marieta, “um homen é um homem e um rato é um bicho”… e eu nasci com uma qualidade e um defeito, necessariamente nessa ordem: não sou um rato e por amor faço qualquer negócio.

Quando cheguei no balcão da Lufthansa… estavam lá vários dos meus anjos, devidamente trajados. Nas camisetas, todas iguais, tinha na frente a minha foto com o Armin, e atrás, em alemão, os dizeres:

“Viemos para o casamento da Celia e do Armin, que estão na foto, e estamos completamente perdidos. Favor nos entregar no endereço “tal”. Muito agradecidos”.

O “tal” do endereço tinha rua, número, “zip code” e até telefone. Eu e o Armin também ganhamos a nossa, para guardar de recordação. Infelizmente a minha camiseta ficou na Alemanha, junto com tudo que estava relacionado ao meu “sonho”. Hoje, com certeza, sentiria muito orgulho de poder olhar para ela… e nenhuma mágoa do que aconteceu depois… mas só o tempo nos faz entender certas coisas… e o mais importante tenho comigo.

Agora me digam… com amigos assim, mesmo com todos os motivos que eu trouxe de volta, dá para desistir da vida?

Nem pensar… 🙂

Só posso agradecer a Deus e dizer mais uma vez a cada um dos meus anjos, os que tinham camiseta e os que não tinham, os que estavam no aeroporto e os que não estavam, mas que me ajudararm a “reviver”: vielen Danke… Ich lieb Dich.

Mais dos meus anjos

domingo, setembro 9th, 2012

Conheço o Walter há mais de 10 anos. No início trabalhávamos na mesma equipe, depois com tanto tempo passado, e tanto que eu fui e voltei, ficamos mais distantes, e agora trabalhamos relativamente perto fisicamente, apesar de em equipes e funções totalmente diferentes. Mas o lugar do Walter no meu coração sempre esteve guardado.

Graças a Deus, esse “perto fisicamente” me permite de vez em quando tomar um café com meu amigo, que sempre tem uma palavra sábia e “refrescante” para o meu coração. Coitado do Walter… faço ele repetir, repetir e repetir a mesma coisa… que eu não aprendo de jeito nenhum. Ele ri das besteiras que eu falo e repete… com toda a paciência de um amigo de verdade. O Walter sabe ser amigo de verdade, e eu digo que ele sabe tudo. Ele diz que não… mas eu acho mesmo que sim.

Há um tempo atrás, num dos nossos cafés no grêmio da Tokio Marine, eu contei para ele um sonho que eu tive: que ele vinha até minha mesa, com uma caixinha de papelão na mão, e me mostrava um doce que tinha dentro, dizendo que era para eu ficar feliz. Descrevi para o Walter o doce e disse que quando eu comi, além de delicioso, ele me trazia uma felicidade enorme… porque eu finalmente entendia tudo que o Walter tanto repete para mim sobre fé. Como sempre, o meu amigo riu do meu sonho e da minha persistência em não entender o que ele fala, a ponto de precisar de um “doce mágico”… e continuamos nossa conversa, que sempre me “cura” de certa forma… depois voltamos ao trabalho.

Eu já tinha esquecido do sonho, e continuo meio “lenta” em matéria do que o Walter me ensina, quando há uns dias atrás voltei do almoço e tinha uma caixa de papelão em cima da minha mesa. Naquele dia em especial eu estava com uma tristeza enorme me sufocando, e a sensação de que nada mais valia a pena… falta de sonho, de esperança, de tudo que faz a gente ir em frente.

Quando eu abri a caixa… era o “doce do sonho”. Não tive a menor dúvida e fui sem pensar abraçar o meu amigo, antes mesmo de ver que dentro da caixa tinham dois bilhetes, que diziam:

“Celia,

Alguns sonhos se realizam rapidamente, outros demoram um pouco, para nos estimular na nossa paciência.”

e

“Celia,

Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Tiago 1:5.”

Continuo com a minha “falta de sabedoria”, mas meu coração ficou nesse dia cheio de esperança e certeza de que tudo vale a pena. Simplesmente porque ter amigos-anjos como eu tenho, é a maior prova de que Deus olha sim por mim, mesmo que eu esteja dando tanto trabalho a Ele, ao Walter e a tantos outros dos meus anjos para aprender o que é essa tal de fé.

Amor, tenho de sobra… e sei que também é um presente de Deus. O mais que eu preciso para ser feliz, só Ele sabe, e eu espero… exercitando a minha paciência, como o Walter me disse, apesar dos “tropeços”. Eu levanto… isso é o que importa… e continuo…