Archive for fevereiro, 2013

Invisível… mas “sentível”

sexta-feira, fevereiro 15th, 2013

Já que somos feitos da mesma “matéria”, e acredito que não temos função nesse mundinho além de amar e ajudar ao outro, é muito difícil entender a razão pela qual as pessoas cada vez mais enxergam a maldade antes e além da bondade em tudo e em todos. Na verdade, entender não é tão difícil… talvez eu entenda sim por que, infelizmente. É só ver os jornais ou, mais perto ainda, prestar atenção nas ruas por onde ando todos os dias. O que não entendo é a falta de persistência e boa vontade para enxergar o “invisível”, que vem de Deus e é incontestável, e manter a essência da gente… que é o amor.

Uma das coisas mais tristes que já ouvi de uma amiga e que já senti na pele também foi que hoje em dia, a gente tem medo de gente. É verdade… como pode?

“Os homens, acostumados com a perversidade e o mal, comuns num mundo de sua criação, se envenenaram ao ponto de perder a capacidade de ver bondade nas cenas cotidianas. Incapazes de reconhecer que existem amizades desinteressadas e verdadeiras entre pessoas de sexos, cores e idades diferentes e que há amor além do dinheiro e da beleza física. De compreender que a felicidade não está ligada aos bens e aos cargos. De notar que às vezes o mundo é bom e que, independente da crença, há uma força criadora que o move. E ela é banhada simplesmente pelo invisível.”.

Mariana Andrade Bomfim

 

 

Meu Mané favorito

sexta-feira, fevereiro 8th, 2013

Fabiano, seu Mané.  Você tem 40 anos.

E nós, juntos e separados, temos mais ou menos 33… 34 talvez. Isso não é para “quaisquer uns”.

Fomos muito juntos por um tempo, que é delicioso de lembrar… Maneco Dionísio, Guga, Dona Mizi… eu e todas as outras meninas da sala “gostávamos” do Puí… e você “odiava” o Puí, mas só por causa disso.

Você não gostava de ninguém mas todas as meninas da escola que não gostavam do Puí gostavam de você, e eu “odiava” todas, mas só por causa disso.

Estranho e maravilhoso, você não acha? E prova concreta de que as esquisitices de cada um não mudam… e que a vida se repete mesmo, só que a gente vai aprendendo e aprendendo o que fazer com os presentes e os perrengues de cada dia.

Mas o mais maravilhoso, Fa, o que é mágico e notável de tudo isso, é que além das esquisitices, o amor que a gente traz no coração também não muda. Estou falando de amor de verdade. E quando alguém tem que fazer parte da nossa história e a gente sabe dar valor, é para sempre. Não tenho dúvidas disso, você tem?

Naquele tempo, nós brigávamos pelo espaço no pátio do Maneco para brincar na hora do “recreio”, brigávamos pela atenção da Dona Mizi, brigávamos para ser o noivo ou a noiva da quadrilha, brigávamos para não dançar um com o outro, porque tínhamos “outros” interesses, brigávamos por coisas muito importantes que agora são muito engraçadas. Mas brigávamos para estar juntos também… do nosso jeito. E sempre estávamos.

Semana passada, nós brigamos porque queremos de qualquer jeito um por a culpa no outro do motivo de “não termos dado certo”. Mas, Fa… além dos parabéns pelos seus 40 anos, estou aqui para te contar que sim… nós demos MUITO certo. Nós demos tão certo que se passaram 34 anos e ainda brigamos um com o outro e um pelo outro. Vivemos duas vidas completamente diferentes, mas no fundo do coração de cada um sempre esteve o mesmo carinho, a mesma amizade a mesma sensação de “tenho com quem contar”.

Fabiano, seu Mané… espero que nos próximos anos da sua vida você encontre toda a felicidade que quiser, porque você merece. Mesmo. Todo o amor e tudo de sentimento bom que eu aprendi também com você lá naquele tempo, tenho no meu coração por você até hoje, e NUNCA vai embora, eu te prometo. Pode fazer as Manezices que você quiser…

E hoje, dia dos seus 40 anos,  tenho só mais sete palavrinhas “procê”:

Parabéns, velhinho. Eu te adoro de montão. 🙂

Passarinho

domingo, fevereiro 3rd, 2013

Passarinho

É preciso mais alguma coisa?

sábado, fevereiro 2nd, 2013

“Um dia” me apaixonei pelo livro de um amigo da minha mamy, de Santos, que ele mesmo deu a ela numas férias em que eles se encontraram por acaso. Na verdade, depois de “devorar” todas as crônicas do livro do Luiz, me apaixonei de certa forma por ele também… queria saber escrever “igualzinho” quando eu crescesse.

Hoje acordei engasgada com uma coisa para dizer aqui… sabia exatamente o “que” mas não achava o “como”. Mais uma vez, sem eu nem saber de onde, me veio o livro do Luiz na lembrança… uma crônica em especial… done!!!!

Só tenho a dizer além de “Gerusa” que…

  • Qualquer semelhança com “alguém que você conhece” é mera coincidência.
  • Se tiver medo de altura não “é prudente” tentar voar.
  • Tem que ter “peito” para ser “Gerusa”, mas na opinião de “alguém que você conhece”, it is worth… for sure.

Com a licença e a admiração de sempre por Luiz Gonzaga Alca de Sant’Anna, junto com o meu grande amor pelo livro “Começa Assim”… aí está. “Omiti” alguns trechos para só mostrar a “essência” do que eu queria dizer.

“Gerusa

Gerusa é uma mulata alegre, gorda, sempre requebrando as chocalhantes banhas, que em idade cronológica se situa entre os trinta e os quarenta, mas que, em espírito, não passa dos dezoito. Trabalhava como doméstica em casa de uma parenta muito próxima, cujo local eu frequento habitualmente, de tal forma que passei a conhecer os costumes da família.

Em diversas ocasiões, presenciei a patroa reclamando de Gerusa, algum serviço mal feito, ou repreendendo-a pela falta de modos. O sorriso da doméstica jamais esmorecia, ao contrário, se ampliava, e não raro, a vi pedindo desculpas, humildemente, seguindo-se uma gostosa gargalhada.

No carnaval passado, preparou-se com meses de antecedência…

Tudo isso, para caprichar nas roupas que usaria no “carná”. Afinal de contas, como ela própria me disse, eram quatro dias em que teria de aparecer divina e maravilhosa…

Sábado à tarde, Gerusa desapareceu do emprego, saindo sorrateira. Durante os dias de gandaia, ninguém viu sua fachada risonha, nem mesmo para um bom dia. Dormiu fora o tempo todo, carregando as vestimentas especialmente preparadas, maquiagem e demais apetrechos.

Na quarta-feira, à hora do almoço, chegando de viagem, sozinho, passei pela casa de minha prima e soube do desaparecimento de Gerusa. Conversávamos a respeito, na cozinha, enquanto ela fritava os bifes, irritada com a ausência da empregada, quando a dita cuja apareceu. Cara cansada, abatida, demonstrando a ressaca da véspera e, pela, primeira vez, trazia na fisionomia um ar sério e envergonhado.

“Que houve?” – perguntou a patroa. “Por que você sumiu sem dar notícias?”.

“Vou embora.” – disse ela.

“Num dá mais pra morar aqui. Gosto muito da senhora, mas vou viver com um cara que gamei nestes dias, descurpa.” – respondeu a mulata.

“Mas como, quem é ele, você por acaso sabe onde trabalha, que faz da vida, já indagou se não é casado ou comprometido? Ou, pelo menos, que pretende de você ou a garantia que vai ter, largando tudo para viver com ele?” – perguntei, entrando na conversa.

O sorriso voltou, a fisionomia da mulata se iluminou, os olhos brilharam. Emocionou-me a meiguice e a profunda honestidade com que me respondeu:

“Não sei nada não, doutor Luiz. Nem perguntei o sobrenome dele e nem o emprego. Só sei que gosto dele pra burro, que ele é muito bacana e que se chama Dito… pra que mais?”.

E feliz da vida, Gerusa foi embora, viver com seu grande amor, sem se preocupar com estabilidade, coerências, raciocínios, encucações, tempo de duração, etc., tudo isso que preocupa tanto a gente e tira o prazer de vivermos o momento presente. Ela estava certíssima, amava um cara que simplesmente se chamava Dito e pronto…

É preciso mais alguma coisa?”.