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Dia “especial”

terça-feira, maio 14th, 2013

Como graças a Deus, tenho muita história para contar, e adoro fazer isso, só sei que foi assim:

A última vez que vi, conversei, beijei, abracei, senti o cheiro e olhei nos olhos da minha mamy foi no dia 13 de maio. Há 12 anos… que parecem 120, ou mais, um século e 200 anos.

Era Dia das Mães, e fomos contra a vontade dela a uma clínica no sul de Minas Gerais, onde ela deveria ficar por 15 dias para um tratamento para depressão, e fortalecimento do corpo… que estava bem fraco de tanta tristeza. Estava fazendo 8 meses da perda do Reynaldo, que ela tanto amava, e quem, ela insistia, estava vindo busca-la.

Depois de todas as broncas que eu levei no caminho e depois que chegamos, porque “ela queria ir para Piraju” e porque “ela era minha mãe e eu devia obedecer”, convenci minha mamy de ficar na fazenda que era um lugar calmo e bonito. Prometi que voltaria para busca-la quando ela quisesse, e que nesse dia íamos fazer uma festa para comemorar o quanto ela estaria bem e feliz. Dei o presente de dia das mães que eu e a Fê tínhamos comprado, um monte de beijos e abraços na Dona Marieta e voltei para São Paulo… achando que aquele tinha sido o dia mais difícil da minha vida.

Nunca mais conversei com minha mamy. Nem beijei, abracei, senti o cheiro ou pude olhar nos olhos da Dona Marieta. Ela estava certa sobre o Reynaldo vir busca-la, e com certeza os dias que se seguiram àquele, que tinha sido o “mais difícil” da minha vida, foram piores. E até hoje, a cada ano, os dias piores ficam piores, e trazem uma saudade que desconcerta e desespera.

 

Passados alguns anos, conheci na Alemanha um homem por quem me apaixonei completa e perdidamente. “Namoramos” muito pela Internet e pouco pessoalmente, ficamos cada dia mais próximos, e planejamos umas férias de sonho… juntos. Conseguimos o mês de maio inteiro para curtirmos um ao outro e a Europa… para mim parecia mesmo irreal… história de princesa, bem melhor do que eu já havia ousado sonhar.

Então, no dia 13 de maio, estávamos eu e o meu príncipe a bordo de um cruzeiro pela Grécia… mais precisamente saindo da ilha Santorini – não disse que parecia um sonho? – quando fui pedida em casamento, e disse sim… achando que aquele tinha sido o dia mais feliz da minha vida.

Compramos as alianças e noivamos no carro, tamanho era o “desespero” de formalizar que ficaríamos “juntos de verdade” . Fomos para Paris, dormimos num castelo na Alemanha, e fizemos uma festa onde fui apresentada como a noiva do homem mais feliz do mundo. E com certeza, os dias que se seguiram àquele, que tinha sido o “mais feliz” da minha vida, foram ainda melhores.

 

E essa é a vida… completamente indecifrável e maluca, mas bonita… e indiscutivelmente valiosa.